
Angola trabalha no dossier para elevar o Semba a Património da Humanidade
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O Ministério da Cultura garantiu, na quarta-feira, que está em curso o dossier de fundamentação da proposta de candidatura do Semba, música e dança, à lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A garantia foi dada durante a apresentação do projecto “Semba In The World”, acolhido em Luanda, na Galeria do Semba, albergada no Centro Cultural e Recreativo Kilamba.
A promoção e preservação da riqueza da cultura angolana, especialmente através da música, dança e arte do Semba, conectando pessoas de todo o mundo, é o foco do projecto “Semba In The World”, que vai tornar Angola uma paragem obrigatória para turistas provenientes de várias partes do mundo.
O projecto é uma iniciativa do Ministério da Cultura e do parceiro HG Marketing e Publicidade. De acordo com a organização, o projecto é uma iniciativa inovadora, que visa promover a cultura angolana a nível nacional e internacional, com enfoque no Semba como património cultural imaterial nacional e catalisador do desenvolvimento cultural.
A iniciativa da HG Marketing e Publicidade, que foi testemunhada pela Mastercard, representada por Gabriel Swanepoel, Country Manager- Africa, visa criar bases para a elevação do Semba a Património Imaterial da Humanidade. O estilo foi promovido a Património Imaterial Nacional do país, a 18 de Abril de 2023, e esta classificação foi feita pelo Instituto Nacional do Património Cultural.
Durante a cerimónia de apresentação do projecto, a organização procedeu à assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério da Cultura e a HG Marketing e Publicidade, testemunhado pela Mastercard.
“Cultural Tourist Card”
O memorando vai permitir o fortalecimento entre as partes de uma parceria estratégica para a implementação do “Cultural Tourist Card”, que vai ser um cartão específico só destinado à cultura. O cartão, detalhou, poderá ser utilizado em restaurantes para adquirir ingressos para shows.
De acordo com um dos coordenadores do evento, Gelson Íven, quem obtiver o cartão será especificamente destinado à cultura e entretenimento. “Vamos trabalhar com os bancos comerciais para conseguirmos plafonds para esses cartões, que vão permitir às pessoas adiantar a compra de um bilhete para ter acesso aos espectáculos, sem precisar ter o dinheiro físico”, explicou Gelson Íven.
A apresentação do projecto esteve a cargo do coordenador Hélio Aragão.
O encontro teve lugar na Galeria do Semba e contou com a presença de entidades governamentais, membros do corpo diplomático acreditado em Angola, académicos, fazedores de cultura e empresários.
De acordo com o coordenador do evento, o propósito do projecto é tornar Angola num local reconhecido como líder global na promoção e difusão da cultura angolana, com festivais internacionais de Semba em vários países, criando pontes culturais e a promoção do diálogo intercultural.
Valores e respeito cultural
De acordo com Hélio Aragão, o projecto vai valorizar e respeitar as tradições, crenças e práticas culturais de Angola, reconhecendo a importância da diversidade e da inclusäo, num compromisso com a excelência na apresentação e promoção da música, dança e arte do Semba, em busca constante da qualidade e da inovação.
Fomentar parcerias e colaborações com artistas, instituições e comunidades locais e internacionais, para fortalecer e enriquecer a promoção da cultura angolana, está entre os objectivos. Outro aspecto relevante do programa é tornar a cultura angolana e o Semba acessíveis a todos, através de eventos, programas educativos e plataformas online que possam alcançar uma ampla audiência global.
O projecto “Semba In The World” vai promover o crescimento e acessibilidade cultural dos ritmos e danças nacionais ao mundo e tornar a cultura angolana acessível a todos, e vai incentivar a inovação, experimentação e a colaboração entre os artistas e as comunidades.
Na ocasião, o coordenador do projecto, Hélio Aragão, explicou que se recorreu aos escritos do escritor Óscar Ribas para atender melhor de onde surgiu o Semba, de maneira a compor a Rota Turística do estilo de dança. “Tivemos essa iniciativa para trazermos à ribalta aquilo que é a essência da nossa cultura, e o Semba foi daqueles pilares usados para a Luta de Libertação Nacional. Porque os músicos usavam a música como uma arma para lutar contra o opressor”, disse.
Ao longo dos anos, disse, este estilo musical e dança tornou-se alegria, luta e resistência. “Este é um sinal claro que o nosso projecto se junta ao Estado através do Ministério da Cultura para a elevação desta riqueza rítmica a Património da Humanidade”, realçou.
Por sua vez, o representante da Mastercard, Gabriel Swanepoel, disse que a apresentação do projecto é um marco para os angolanos, por se ter realizado num momento em que se celebram os 50 anos da Independência de Angola.
Compromisso do Estado
O director nacional da Acção Cultural, Pedro Tchissanga, em representação do ministro da Cultura, Filipe Zau, reiterou o compromisso deste órgão do Estado continuar a apoiar de forma institucional o projecto.
O Projecto “Semba In The World”, explicou, respeita as bases fundamentais da cultura, por isso o Ministério vai continuar a dar todo o apoio técnico, no sentido de destacar a originalidade do Semba nacional. “Através do projecto vai se criar uma Rota Turística do Semba, que são os locais originais onde surgiu o estilo musical. Para além da capital do país, a Rota Turística do Semba se vai estender às províncias do Cuanza-Norte, Bengo, Benguela, Huíla e Namibe”, ressaltou.
Fazedores de cultura
Para o músico Dom Caetano, o projecto “Semba In The World” é uma grande iniciativa, porque está mais virado à promoção e divulgação da música angolana além-fronteiras.
Na visão do professor de dança Mukano Charles, o projecto surge de maneira a recuperar os valores do Semba e fazer com que o país olhe para a cultura como fonte de rentabilidade financeira e económica. “Além de valorizar o Semba na sua vertente mais académica, o projecto serve para atrair turistas ao país”. Por sua vez, Soky dya Nzenze disse que se sente céptico com o projecto, porque a iniciativa devia partir do Instituto do Património Cultural e não de uma entidade privada, embora seja uma parceria com o Ministério da Cultura.
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