National Geographic quer trabalhar com as universidades angolanas
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A National Geographic e a Fundação Lisima estão interessadas em trabalhar com as universidades angolanas para ministrar cursos de Pós-graduação, Mestrados e Doutoramento nas áreas de Conservação e Protecção da Biodiversidade do país.
A intenção foi manifestada, ontem, em Luanda, pelo explorador do National Geographic e líder do Projecto Vida Selvagem do OKavango, Steve Boyez, após ter saído de uma audiência com a Vice-Presidente da República, Esperança da Costa.
Na audiência, também estiveram presentes directora-geral adjunta do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC), Marta Zumbo, e o director-geral da Fundação Lisima, Elves Zambela.
Em declarações à imprensa, Steve Boyez disse que, a exemplo do que se fez com Associação de Ciências Ecológicas do Brasil, a National Geographic tem intenção de trabalhar com as instituições académicas angolanas nos projectos ligados à biodiversidade.
Steve Boyez referiu que a National Geographic e a Fundação Lisima assinaram acordos que vão permitir uma cooperação de trabalho até 2032, o que demonstra a importância de Angola para a região e o Mundo inteiro, no que diz respeito à biodiversidade.
Além do interesse em trabalhar com as universidades do país, o explorador do National Geographic e líder do Projecto Vida Selvagem do OKavango referiu que foi feita uma proposta para a realização de uma cimeira (presidencial), em 2027, em Angola, com o objectivo de destacar “a grande importância da contribuição hídrica do país”.
No entender de Steve Boyez, Angola deve sentir-se orgulhosa, porque cientistas da National Geographic, em colaboração com nacionais, conseguiram identificar 275 novas espécies de animais, inclusive uma série de novos elefantes na zona do Okavango.
A série identificada do novo elefante, frisou explorador da National Geographic e líder do Projecto Vida Selvagem do OKavango, deu lugar a um filme em Hollywood, denominado “Ghost Elephants” (elefantes fantasmas, tradução livre), realizado por Werner Herzog, o “mais famoso realizador de documentários do Mundo”, premiado no mês passado, durante o Festival de Veneza, Itália.
“Este filme celebrará Angola, celebrará a nova espécie de elefantes, e vai atrair a atenção global ao que encontramos aqui. Queremos mostrar todo esse potencial existente em Angola, em especial na zona do Okavango”, sublinhou.
Encontro com a Vice-Presidente foi profícuo
No que diz respeito ao encontro que manteve com a Vice-Presidente da República, Steve Boyez referiu que foi profícuo, porque foram abordados aspectos sobre a importância geopolítica e hidrográfica de Angola, designadamente a região do Okavango, Zambeze, Kwando, Kwanza e o Congo.
Ainda no encontro, frisou o explorador do National Geographic e líder do Projecto Vida Selvagem do OKavango, discutiu-se sobre a COP15 da Convenção das Zonas Húmidas de Ramsar, em que foi anunciada que a “fonte verdadeira do rio Zambeze está na Angola”.
“Continuaremos a trabalhar com Angola, estamos muito felizes em anunciar que uma nova área de conservação foi inscrita na
Convenção de Ramsar, e aguarda-se, em breve, os resultados”, afirmou Steve Boyez, sublinhando que 72 por cento da quantidade de água que alimenta os grandes rios da região vem de Angola, sobretudo da Bacia do Okavango, Zambeze, Kwanza e Congo.
Audiência foi pertinente
A directora-geral adjunta do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC), Marta Zumbo, que também fez parte da delegação da National Geographic, recebida pela Vice-Presidente, considerou “pertinente a audiência”.
Marta Zumbo referiu que, no encontro, foi possível mostrar à Vice-Presidente da República os trabalhos que estão a ser feitos no terreno para que Angola possa apresentar ao Mundo a biodiversidade e as potencialidades da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Angola, continuou, assumiu compromissos internacionais, a fim de aumentar as áreas de conservação ambiental e, por isso, teve que trabalhar com vários parceiros, no sentido de atingir a meta de 17 por cento das áreas de conservação no país.
Em relação à formação de quadros nacionais, a directora-geral adjunta do INBAC referiu que os angolanos precisam de ter o know-how, pelo que devem “apoiar as instituições internacionais”.
Conservação da biodiversidade
O director-geral da Fundação Lisima, Elves Zambela, referiu que a conservação da biodiversidade não se limita simplesmente à área da investigação e pesquisa, mas também à implementação de programas sociais para as comunidades locais.
Segundo Elves Zambela, as políticas sobre a conservação da biodiversidade compreendem, também, o desenvolvimento das comunidades locais, como por exemplo prestar apoio para a produção de mel, no caso do Leste de Angola, artigos artesanais, Agricultura, Saúde e Educação.
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