Angolanos na África do Sul relatam medo e confinamento devido a episódios de xenofobia
Cidadãos angolanos residentes na África do Sul relatam momentos de tensão, medo e incerteza face aos recentes episódios de violência associados a manifestações de cariz xenófobo em várias zonas do país.
Em declarações à imprensa, uma cidadã angolana que preferiu o anonimato descreveu um ambiente de instabilidade, referindo que a intervenção policial tem sido determinante para dispersar grupos de vândalos que se infiltram entre manifestantes. Segundo explicou, esses indivíduos aproveitam-se dos protestos para praticar actos de violência, o que tem agravado o clima de insegurança.
Apesar de alguma contenção por parte das forças de ordem, muitos angolanos dizem continuar a viver praticamente confinados em casa por razões de segurança. O que inicialmente seria um período de três dias de instabilidade já se prolonga, sem garantias de normalização, e há indicações de novas manifestações em determinadas áreas nos próximos dias.
A situação está igualmente a afectar o quotidiano das famílias, sobretudo das crianças. Alguns encarregados de educação optaram por não enviar os filhos à escola, por receio de incidentes, alegando não existir um ambiente seguro para a circulação.
Os relatos indicam ainda que, contrariamente ao que tem sido difundido, a posse de documentação legal não tem garantido total segurança. Segundo os residentes, o sentimento em algumas zonas é de rejeição generalizada a estrangeiros, independentemente da sua situação migratória.
