Presidente João Lourenço discursa amanhã na Assembleia Geral da ONU
O Presidente da República, João Lourenço, vai discursar, amanhã, pela oitava vez, no Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, ocasião que reúne Chefes de Estado e de Governo dos 193 Estados-membros da organização para apresentarem as suas visões e prioridades sobre os principais desafios globais.
A primeira intervenção de João Lourenço ocorreu a 26 de Setembro de 2018, durante a 73.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, um ano depois de ter assumido a Presidência da República.
No discurso inaugural naquela que constitui uma das principais tribunas da diplomacia mundial, João Lourenço, que completava o primeiro ano do mandato presidencial, chamou a atenção para a necessidade de a ONU permanecer focada nos propósitos que estiveram na base da sua criação, entre os quais o restabelecimento da paz, a promoção da concórdia entre as nações, a igualdade soberana dos Estados e a construção de um mundo assente na cooperação, no progresso e no bem-estar dos povos.
Em 2019, durante a intervenção na 74.ª sessão da Assembleia Geral, João Lourenço voltou a manifestar preocupação com os vários conflitos existentes no mundo e defendeu o multilateralismo nas relações internacionais como uma das vias para a promoção da segurança e da paz.
Na mesma ocasião, reiterou a importância do alargamento do número de membros permanentes do Conselho de Segurança, de modo a incluir países de África e da América do Sul, por considerar que a actual composição não reflecte de forma equilibrada a realidade geoestratégica mundial.
Em 2020, devido à pandemia da Covid-19, os líderes mundiais não se deslocaram a Nova Iorque para participar presencialmente na 75.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Pela primeira vez na história da organização, o tradicional Debate Geral realizou-se em formato virtual. Os Chefes de Estado e de Governo apresentaram as suas intervenções por meio de discursos gravados em vídeo, exibidos no grande ecrã do Salão da Assembleia Geral.
Na sua comunicação, João Lourenço destacou a solidariedade registada durante a pandemia e considerou fundamental o investimento directo nas economias dos países em desenvolvimento como factor determinante para o crescimento económico e o desenvolvimento.
O Presidente da República sublinhou, naquela ocasião, que a pandemia demonstrou que a actuação coordenada permite repartir, de forma mais eficaz, as responsabilidades e alcançar resultados mais satisfatórios.
Em 2021, apesar de o mundo continuar afectado pela pandemia da Covid-19, os líderes mundiais regressaram presencialmente a Nova Iorque para participar na 76.ª sessão da Assembleia Geral.
No seu discurso, João Lourenço apelou para a necessidade urgente de se estabelecer uma compreensão geral de que a solidariedade e a simplificação dos processos de acesso às vacinas constituíam vias fundamentais para a vitória no combate à pandemia.
O Chefe de Estado criticou a disparidade existente entre os países quanto à disponibilidade de vacinas e voltou a defender a necessidade de se promover a paz nas várias regiões do mundo afectadas por conflitos.
Ausência na 77.ª Sessão
Em Setembro de 2022, no período em que foi investido para o segundo mandato como Presidente da República, João Lourenço não se deslocou a Nova Iorque para participar na 77.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Angola esteve representada pela então representante permanente junto das Nações Unidas, a embaixadora Maria de Jesus Ferreira, que, na intervenção em nome do Chefe de Estado, defendeu, entre outras posições, o fim do embargo de armas à República Centro-Africana e o levantamento de restrições contra Cuba, Zimbabwe e Venezuela, além de reafirmar o compromisso de Angola com a paz.
No seu regresso a Nova Iorque em 2023, para participar na 78.ª sessão da Assembleia Geral, João Lourenço lamentou que, quase oito décadas após a fundação das Nações Unidas, o mundo ainda não tenha alcançado uma base sólida de confiança entre as nações. O Chefe de Estado angolano sublinhou que este défice de concertação persiste, apesar dos sucessivos esforços globais para a edificação de um Planeta mais pacífico e próspero.
Na visão do Estadista angolano, o reforço dessa confiança contribuiria para evitar o surgimento de focos de tensão que, em diferentes regiões, acabam por degenerar em conflitos abertos.
João Lourenço considerou fundamental que a Organização faça tudo o que estiver ao seu alcance para promover o respeito e a observância dos valores consagrados na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional, de modo a corrigir a trajectória que o mundo tomou após a queda do Muro de Berlim.
No Debate Geral da 79.ª sessão da Assembleia Geral, em 2024, João Lourenço sugeriu, entre outras posições, a implementação urgente de reformas destinadas a assegurar uma representação mais justa dos países africanos nas principais instituições financeiras internacionais.
O Estadista angolano sustentou que essas reformas devem permitir uma participação mais equilibrada nos processos de tomada de decisão e na elaboração de políticas com impacto directo no quotidiano das populações.
Revitalização das Nações Unidas
No ano passado, durante a participação na 80.ª sessão da Assembleia Geral, o Presidente da República propôs a revitalização das Nações Unidas e a necessidade de a organização ultrapassar a situação “intrincada” em que se encontra, de modo a recuperar o seu papel de liderança activa.
As dificuldades e a crise que o mundo atravessa, afirmou o Estadista angolano, devem servir de estímulo para a ONU ressurgir e tornar-se mais actuante, evitando que o seu papel como principal entidade de governação global se dilua.
Promoção da paz
Para a 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, cujo Debate Geral começa amanhã, 22 de Setembro, o Ministério das Relações Exteriores anunciou que Angola vai aproveitar a participação no certame para reafirmar o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas e defender o diálogo como instrumento fundamental para a promoção da paz e da segurança internacionais.
Cronologia das participações nos Debates Gerais da ONU
A primeira Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas realizou-se a 10 de Janeiro de 1946, em Londres, alguns meses após o fim da Segunda Guerra Mundial.
A sessão inaugural não teve um lema oficial nos moldes adoptados pelas sessões anuais modernas. A prática de estabelecer temas específicos para cada período de sessões surgiu posteriormente. Na reunião inaugural, o foco esteve sobretudo na estruturação da nova organização e na promoção da paz no período pós-Segunda Guerra Mundial.
A Assembleia Geral procurou, nessa fase inicial, estabelecer as bases institucionais da organização e eleger os seus primeiros dirigentes, entre os quais o presidente da Assembleia Geral, Paul-Henri Spaak, e o secretário-geral interino, Gladwyn Jebb.
Participações do Presidente João Lourenço
26 de Setembro de 2018
Tema da sessão: “Tornar a ONU relevante para todos – liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, inclusivas e sustentáveis.”
24 de Setembro de 2019
Tema: “Impulsionar os esforços multilaterais para a erradicação da pobreza, a educação de qualidade, a acção contra as alterações climáticas e a inclusão.”
22 de Setembro de 2020
A intervenção foi feita por via remota, devido à pandemia da Covid-19, que impediu a deslocação dos líderes mundiais a Nova Iorque.
Tema: “O futuro que queremos, as Nações Unidas que precisamos: reafirmando o nosso compromisso colectivo com o multilateralismo – enfrentando a Covid-19 através de uma acção multilateral eficaz.”
23 de Setembro de 2021
Tema: “Construindo resiliência por meio da esperança – para se recuperar da Covid-19, reconstruir de forma sustentável, responder às necessidades do Planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas.”
2022 — ausência do Presidente da República
João Lourenço não participou presencialmente no Debate Geral, tendo Angola sido representada pela então representante permanente junto das Nações Unidas, embaixadora Maria de Jesus Ferreira.
Tema: “Soluções por meio da solidariedade, sustentabilidade e ciência.”
20 de Setembro de 2023
Tema: “Reconstruir a confiança e reacender a solidariedade global: acelerar a acção para a Agenda 2030 e os seus Objectivos de Desenvolvimento Sustentável rumo à paz, prosperidade, progresso e sustentabilidade para todos.”
24 de Setembro de 2024
Tema: “Não deixar ninguém para trás: agindo juntos para o avanço da paz, do desenvolvimento sustentável e da dignidade humana para as gerações presentes e futuras.”
23 de Setembro de 2025
Tema: “Juntos somos melhores: mais de 80 anos ao serviço da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos.”
A ONU confirma a intervenção de João Lourenço no Debate Geral da 80.ª sessão, realizada em 23 de Setembro de 2025.
22 de Setembro de 2026
Tema: “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas que funciona para todos.”
