Homilia lembra Nandó como exemplo no percurso em busca da reconciliação
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O cónego Apolónio Graciano considerou, segunda-feira, Fernando da Piedade Dias dos Santos “bom exemplo” para a construção de uma Angola de paz, unida, coesa e reconciliada.
Na missa de corpo presente, que celebrou em memória à alma de Fernando da Piedade Dias dos Santos, o prelado católico disse que Nandó, enquanto político e chefe de família, se sacrificou até à morte em prol do bem comum.
O padre Apolónio Graciano referiu que “a morte de um filho da dimensão de Fernando da Piedade Dias dos Santos não pode apenas significar dor e luto, mas sim uma oportunidade para edificar uma nação justa e coesa”.
Segundo o prelado católico, a vida terrena do antigo presidente da Assembleia Nacional foi repleta de actos que se enquadram nos ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus, que procurou buscar a paz, a justiça e a união.
Fernando da Piedade Dias dos Santos, frisou o cónego Apolónio Graciano, “foi um filho que soube amar as distintas missões que assumiu, enquanto ainda jovem”. Apesar do desaparecimento físico, continuou, o momento é, também, de reflexão em torno do bem-estar de Angola.
O cónego Apolónio Graciano referiu, ainda, que o antigo Primeiro-Ministro, Vice-Presidente da República e presidente da Assembleia Nacional cumpriu rigorosamente os princípios do “bem-servir” a nação, ou seja, foi um “defensor incansável da coesão”.
De acordo com o padre, as actuais e futuras gerações são chamadas a preservar e honrar o legado de Fernando da Piedade Dias dos Santos, pois uma verdadeira nação só se constrói com sacrifício, abnegação e amor, cujos feitos nem sempre são reconhecidos enquanto vivos.
Edgar Martins
Destacado elevado sentido de patriotismo de Nandó
O embaixador de Angola na Bélgica, Edgar Martins, lamentou o passamento físico de Fernando da Piedade Dias dos Santos, uma das figuras mais marcantes da vida política angolana no período pós independência.Segundo o diplomata, o antigo Primeiro-Ministro dedicou grande parte da sua vida ao serviço do Estado e da Nação.
Ao longo do seu percurso político, desempenhou com elevado sentido de responsabilidade e patriotismo funções de grande relevo, nomeadamente as de ministro do Interior, Primeiro-Ministro da República de Angola, Vice-Presidente da República e presidente da Assembleia Nacional, relembrou o embaixador de Angola na Bélgica.
Ex- ministro do Interior
Sebastião Martins fala do contributo de Nandó na sua trajectória
O antigo ministro do Interior Sebastião Martins associou o seu percurso em grande parte aos ensinamentos e à forma como Fernando da Piedade Dias dos Santos o acolheu desde cedo e os pilares que sustentaram a trajectória.
Dos pilares, destacou a verticalidade, a dedicação e entrega ao serviço público, de frontalidade, de exigência, mas, ao mesmo tempo, de grande compreensão.
“O camarada Nandó foi um homem que construiu pontes, foi verdadeiramente um líder e que nos deixa, hoje, fisicamente, mas de quem herdamos um exemplo e uma referência única de um percurso rico em termos de biografia, mas, essencialmente, rico em termos de dedicação ao trabalho e à entrega a este país”, referiu.
“Continuaremos a honrar o seu percurso e, acima de tudo, os ensinamentos que nos deixa e que nos enobrece e, acima de tudo, nos dá a garantia de que há uma geração que aprendeu muito com o camarada Nandó e que vai dar continuidade ao serviço deste país”, enalteceu.
Relações exteriores
Téte António enaltece entrega à Independência
O ministro das Relações Exteriores, Téte António, destacou, com profundo respeito, o percurso histórico, político e humano de Fernando da Piedade Dias dos Santos, enaltecendo a sua entrega total à causa da independência, da soberania, da paz e do desenvolvimento de Angola.
No livro de condolências aberto em memória do nacionalista Fernando da Piedade Dias dos Santos, Téte António disse que “Nandó” foi um grande humanista, defensor do diálogo e negociador incansável da paz e da reconciliação nacional, cujo contributo foi determinante em momentos decisivos da história contemporânea do país.
Fernando da Piedade Dias dos Santos é recordado como um político de elevada estatura moral, homem de Estado, patriota convicto e servidor público exemplar, que dedicou toda a sua vida ao fortalecimento das instituições, à unidade nacional e à promoção do entendimento entre os angolanos.
Marcos Barrica
“Foi um verdadeiro homem de paz “
O antigo ministro da Juventude e Desportos Marcos Barrica recordou Nandó como uma pessoa muito experiente, de grande sabedoria, calmo, mas muito prudente, sobretudo, e era um verdadeiro homem de paz.
“Em momentos difíceis, conduzir processos como presidente da Assembleia Nacional, em debates, em momentos em que ainda havia algumas feridas abertas, que era necessário ir fechando através do diálogo, através da concertação, o camarada Nandó soube conviver na diferença”, disse.
“Meio a brincar, mas conduziu muito bem o trabalho e prova disso é que todos os cidadãos, quase todos, de diferentes quadrantes do país, de diferentes cores partidárias, são todos unânimes em reconhecer Nandó como um verdadeiro homem de paz, de reconciliação e todos choram a sua partida prematura”, disse.
JOÃO MIRANDA
“Um homem de consenso”
O antigo ministro das Relações Exteriores João Bernardo de Miranda considerou Fernando da Piedade Dias dos Santos um homem de consenso, pela sua capacidade de interagir.
Sobre o legado de Nandó, o diplomata apelou à juventude no sentido de despertar o sentimento de devoção à pátria, pautando sempre pela obediência, responsabilidade e união.
“É muito pouco que se possa dizer, porque a dimensão dele é grande e foi tão grande quanto a tristeza que estamos a sentir”, enfatizou.
MARIA RESENDE ENCOGE
“Incontornável figura de Estado”
Maria Resende Encoge, embaixadora na Alemanha, considerou Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” uma incontornável figura de Estado, homem profundamente comprometido com a construção, consolidação e desenvolvimento de Angola.
A diplomata salientou que ao longo de uma extensa e notável trajectória de serviço público, o malogrado distinguiu-se pelo seu elevado sentido de responsabilidade, lealdade às instituições da República e dedicação à causa nacional.
“No exercício das mais altas funções de Estado foi actor preponderante na promoção do diálogo, na construção de pontes de entendimento para a conquista da paz e cooperação entre Estados, projectando Angola como um parceiro respeitado no concerto das nações”, disse.
AMBRÓSIO DE LEMOS
“Um guia dos nossos anseios”
O antigo comandante-geral da Polícia Nacional Ambrósio de Lemos afirmou que Fernando da Piedade Dias dos Santos foi um exemplo para o país e, em especial, para a Polícia Nacional, onde durante muitos anos desempenhou várias funções.
“É uma perda para nós, pois Fernando da Piedade Dias dos Santos foi um filho amado deste país, que deu tudo o que podia por Angola. Além de contribuir para o alcance da independência, também fez muito em prol da reconciliação e desenvolvimento”, enfatizou.
Por sua vez, o nacionalista Jorge Valentim disse que Fernando da Piedade Dias dos Santos “foi um filho que uniu o país, num momento crítico, onde não se falava muito sobre a unidade, mas ele estava lá para ajudar que todos trabalhassem por um único fim, que era o bem-estar do país”.
“Além de ser uma figura marcante na História de Angola, tenho muita gratidão com Fernando da Piedade Dias dos Santos, porque ele salvou os meus filhos, num momento em que eles estavam em perigo”, afirmou o antigo político.
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