Angola e Botswana dão novo impulso à cooperação com aposta na Pecuária

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou terça-feira, em Luanda, que Angola e o Botswana devem tornar as suas relações de cooperação efectivas e capazes de produzir resultados práticos, imprimindo uma maior dinâmica às acções bilaterais

Ao proferir o discurso de boas-vindas ao seu homólogo do Botswana, Duma Gideon Boko, o Estadista angolano destacou que os esforços para o fortalecimento da cooperação bilateral têm sido impulsionados, em grande medida, pelo intercâmbio de delegações de vários níveis. Nesse sentido, João Lourenço sublinhou a relevância das deslocações de trabalho feitas a Angola pelo predecessor do actual Presidente tswanês, bem como a visita de Estado que o próprio líder angolano efectuou a Gaborone em 2023.
O Chefe de Estado lembrou que o encontro com o antecessor de Duma Boko permitiu a ambos os países estudar a necessidade de priorizar o reforço da cooperação nos sectores político-diplomático, de transportes, petróleo e derivados, energia e águas, turismo e ambiente, minas, infra-estruturas, investimentos, além da agricultura e pecuária.
Na mesma reunião, o Presidente João Lourenço reforçou que foi abordada a necessidade de acelerar a conclusão dos instrumentos jurídicos pendentes. Entre estes, destaca-se o Acordo Bilateral de Serviços Aéreos, essencial para estabelecer uma ligação directa entre os dois países. Além disso, o Estadista apontou a importância de viabilizar a primeira Sessão da Comissão Mista Bilateral, evento que acabou por acontecer no decurso deste mês, em Luanda.
“Os resultados são bastante animadores, uma vez que foi possível serem assinados alguns importantes instrumentos jurídicos e definir os sectores da Agricultura, dos Transportes, da Energia, do Petróleo e Gás e dos Recursos Minerais como áreas nucleares para o reforço da nossa cooperação”, ressaltou o Chefe de Estado angolano.
A Comissão Binacional, esclareceu o Presidente da República, deve transformar-se num instrumento de diálogo mais ágil e efectivo entre os dois países, com capacidade para proporcionar os melhores resultados práticos.
“Angola e o Botswana mantêm relações político-diplomáticas bastante consistentes há aproximadamente cinco décadas. Estas ligações fortaleceram-se de forma significativa em 2006, com a celebração do Acordo Geral de Cooperação nos domínios Económico, Científico, Técnico e Cultural, permitindo que começássemos a dar forma e conteúdo às trocas bilaterais e a abrir caminho para parcerias estratégicas duradouras”, sublinhou o Chefe de Estado.
Abertura de Embaixada do Botswana em Angola
A par desse mecanismo de diálogo, João Lourenço considerou que seria de grande utilidade para a intensificação das relações bilaterais que a República do Botswana avaliasse a possibilidade de abrir uma Embaixada em Luanda. “Entendemos que uma representação diplomática contribuiria de forma decisiva para assegurar o devido acompanhamento e a correcta aplicação dos instrumentos de cooperação entre os nossos dois países”, justificou o Presidente angolano.
O Estadista angolano referiu ainda que, nos encontros bilaterais mantidos em diferentes ocasiões, foi abordada a estratégia de cooperação no sector diamantífero. O objectivo é permitir que ambos os países desempenhem, na condição de grandes produtores mundiais, um papel fundamental em toda a cadeia de valor desse domínio.“É evidente que temos de desenvolver, de forma coordenada e com a participação de outros países africanos produtores, acções que nos permitam criar um mecanismo conjunto de protecção e salvaguarda dos nossos interesses em matéria de produção, processamento, distribuição e comercialização”, defendeu o Presidente angolano.
O Chefe de Estado sublinhou a importância de “valorizar o diamante natural em detrimento dos sucedâneos que tendem a comprometer esta nossa importante fonte de rendimento”.
Esse objectivo, ressaltou João Lourenço, tem o potencial de elevar a cooperação entre Angola e o Botswana a um nível verdadeiramente estratégico, além de reforçar a soberania sobre os recursos minerais africanos, com impacto directo na definição dos preços globais das gemas naturais.
Adequar a cooperação ao imenso potencial 
O Presidente João Lourenço defendeu que Angola e o Botswana devem envidar um esforço conjunto maior para adequar a cooperação bilateral ao imenso potencial de ambas as nações. O objectivo do Chefe de Estado é elevar o patamar das trocas comerciais e dos intercâmbios existentes, projectando-os para um quadro estratégico que ultrapasse a actuação meramente multilateral.
Para o Chefe de Estado angolano, a cooperação bilateral deve ser estendida aos domínios em que ambos os países já mantêm uma forte actuação no plano regional. João Lourenço destacou a relevância de se estreitarem os laços no âmbito da SADC, da Área de Conservação Transfronteiriça Okavango-Zambeze (ATFC-KAZA), da Comissão Permanente das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Okavango (Okacom) e da Comissão do Curso de Água do Zambeze (Zamcom).“Todos estes factores que referi encerram um potencial de desenvolvimento turístico em que Angola está a apostar e a colocar todo o empenho, de modo a sensibilizar as grandes empresas do ecoturismo já presentes no Botswana, no sentido de se instalarem, também, no lado angolano do Okavango e criarem-se sinergias com benefícios recíprocos consideráveis”, referiu.
O Chefe de Estado sublinhou que Angola, que integra juntamente com o Botswana a iniciativa regional da Área de Conservação Transfronteiriça Okavango-Zambeze (ATFC-KAZA), deve ratificar o respectivo Tratado. Este acto, apontou o Estadista angolano, poderá constituir o ponto de partida ideal para o fortalecimento das relações bilaterais no domínio do turismo ecológico e de conservação.
“O potencial turístico do Okavango é enorme e adquiriu uma importância ainda maior desde que foi proclamado património mundial pela UNESCO, pelo que gostaríamos que este estatuto, no quadro de uma acção conjunta, abranja, igualmente, toda a dimensão do rio Cubango-Okavango”, acentuou o Presidente da República.

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