Mais de 30 milhões desviados em alegado esquema de horas extras no Hospital do Bié
Um alegado esquema de pagamentos de horas extras fictícias no Hospital Dr. Walter Strangway está no centro de uma investigação que aponta para o desvio de mais de 30 milhões de kwanzas dos cofres do Estado, num caso que expõe fragilidades graves na gestão financeira do sector da saúde.
As suspeitas recaem sobre o director-geral da unidade hospitalar e a antiga chefe do Departamento de Recursos Humanos, apontados como peças-chave na operacionalização do esquema, que terá decorrido entre Agosto de 2025 e Fevereiro de 2026. Segundo apurou a Televisão Pública de Angola junto de fontes policiais e da Procuradoria-Geral da República, o mecanismo consistia na inserção de horas extraordinárias inexistentes nas folhas salariais, permitindo o processamento de subsídios indevidos a favor de um grupo de 11 médicos internos.
Os valores atribuídos variavam entre 250 mil e mais de seis milhões de kwanzas por beneficiário, sem qualquer correspondência com trabalho efectivamente prestado. A investigação revela ainda que entre os médicos contemplados constam profissionais que se encontravam em licença médica e outros fora do país, a frequentar formação no exterior, o que reforça os indícios de fraude.
Documentos analisados no âmbito do processo indicam que os montantes eram posteriormente movimentados e, alegadamente, redistribuídos entre os envolvidos, incluindo a então responsável dos Recursos Humanos, considerada a principal articuladora do esquema.
Como consequência, a antiga chefe do departamento foi detida entre 19 de Março e 16 de Abril de 2026, tendo sido posteriormente libertada sob termo de identidade e residência. Antes disso, já havia sido exonerada do cargo a 31 de Março. O processo segue em fase de instrução na Procuradoria-Geral da República, que já procedeu à audição do director-geral do hospital, David Abel.
Com prejuízos estimados em mais de 30 milhões de kwanzas, o caso levanta sérias preocupações sobre os mecanismos de controlo interno e a transparência na gestão dos recursos públicos, sobretudo num sector crítico como o da saúde, onde a escassez de meios contrasta com a necessidade crescente de prestação de serviços à população.
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