Morreu o músico Joy Artur, um dos grandes difusores da música angolana
Morreu, na manhã desta Quinta-feira, 21, o músico e compositor Joy Artur, vítima de doença prolongada. O artista encontrava-se interna do na Clínica Girassol, em Luanda, onde veio a falecer, padecendo de uma patologia que já o assolava há vários anos A notícia do seu passamento físico foi avançada pelo filho, Rui Paulo Lima, através de uma nota breve acompanhada da biografia do artista.
Henrique Lima Artur, artisticamente conhecido como Joy Artur, foi um dos nomes mais sonantes da música angolana, carimbando sucessos que marcaram as gerações de 1970, 80 e 90. Cantor, compositor e intérprete, é reconhecido pela sua forte ligação ao estilo Semba e pela valorização da língua e cultura Kimbundu nas suas composições.
Nascido em Luanda, Joy Artur iniciou a sua trajectória artística na década de 1960, participando activamente nas tradicionais turmas de Carnaval, uma importante expressão cultural da sociedade angolana.
O seu talento e sensibilidade musical levaram-no, mais tarde, a integrar um grupo de jovens artistas que fundou o histórico agrupamento Kissanguela, conjunto que teve um papel mar cante no contexto da canção de intervenção e mobilização cultural em Angola até ao final da década de 1970.
Ao longo da sua carreira, Joy Artur também integrou importantes agrupamentos musicais angolanos, entre os quais Semba Tropical, Os Maringas e Os Rios, tendo participado em gravações e projectos musicais relevantes, incluindo registos realizados em Londres.
Com mais de 30 anos de carreira artística, Joy Artur construiu um repertório que ultrapassa uma de zena de músicas gravadas, distribuídas por vários formatos disco gráficos, incluindo cinco singles, um LP e um CD, consolidando o seu nome como uma referência do semba tradicional e da música de intervenção cultural.
Uma das suas obras mais mar cantes é o álbum Nga Vutuka (2008), lançado inicialmente no Parque da Independência, em Luanda. O disco, cantado maioritariamente em kimbundu, reúne 10 faixas musicais que retratam questões sociais, morais e culturais, traduzindo-se em verdadeiros retratos da vida do povo angolano.
Devido à grande procura do público e dos admiradores da sua obra, o álbum “Nga Vutuka” foi posteriormente reeditado pela Editora Virtual, prevendo-se a distribuição de cerca de 10 mil cópias em várias províncias de Angola, reforçando assim a divulgação da música e da cultura nacional.
Apesar de já não estar entre os vivos, Joy Artur permanece como um guardião da tradição musical angolana, cuja obra contribui para preservar a identidade cultural, as línguas nacionais e os valores sociais transmitidos através da música.
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