ONU condena ataques na Colômbia e insta grupos armados a respeitar civis
O chefe da Missão da ONU na Colômbia condenou hoje os violentos ataques ocorridos no fim de semana no sudoeste da Colômbia e pediu aos grupos armados que reduzam a violência e respeitem a população civil.
Em comunicado, a secretaria-geral da ONU indicou que Miroslav Jenca expressou pesar pelas vidas perdidas nos ataques atribuídos pelas autoridades ao grupo armado ilegal conhecido como Estado Mayor Central (EMC), uma importante federação de dissidentes da antiga guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O EMC não assinou o acordo de paz de 2016.
O Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia também denunciou os ataques.
O Gabinete apelou aos grupos armados para que respeitem o direito internacional humanitário e para que os responsáveis sejam levados à justiça.
Instou ainda as autoridades a cumprirem a obrigação de proteger a população civil.
Pelo menos 19 pessoas morreram e 38 ficaram feridas no sudoeste da Colômbia, num ataque de guerrilheiros com uma bomba de cilindro de gás na autoestrada Pan-Americana no sábado, a um mês das eleições presidenciais.
A explosão ocorreu na região de Cauca, uma tradicional zona de influência de grupos armados, e destruiu mais de uma dezena de veículos.
“Estávamos à espera para passar e continuar o nosso caminho e aquela bomba explodiu mesmo ali […]. Tive medo. Vejam onde o país chegou”, relatou uma das testemunhas, Francisco Javier Betancourt, produtor de café.
Na sexta-feira, um ataque a uma base militar em Cali (sudoeste), a terceira maior cidade do país, fez um morto e assinalou o início de uma série de ataques no vale e na região de Cauca, um bastião dos dissidentes das ex-FARC sob o controlo de Mordisco.
Em 2025, ataques contra forças de segurança na região resultaram em vítimas civis e posicionaram-se como a pior onda de violência que o país assistiu na última década.
O ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez, garantiu no sábado que a presença militar e policial será reforçada na zona.
Esta última vaga de ataques agrava o clima de tensão na reta final para as eleições presidenciais de 31 de maio, em que a segurança tem sido uma questão central desde o assassínio do candidato de direita Miguel Uribe, abatido a tiro num comício em junho de 2025.
Gustavo Petro, o primeiro Presidente de esquerda da história da Colômbia, eleito em 2022, vai deixar o cargo depois do escrutínio.
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