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Teerão condena ataque norte-americano no sul do país e ameaça retaliar

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O Irão condenou hoje o ataque realizado pelos Estados Unidos durante a noite no sul do país e reafirmou a determinação da República Islâmica em defender a soberania nacional e integridade territorial.

Oporta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, qualificou o ataque como uma violação do cessar-fogo de 08 de abril e uma “violação flagrante do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”.

Teerão adotará “todas as medidas necessárias para defender a soberania nacional e integridade territorial”, assegurou Baghaei num comunicado do ministério citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Referiu que as medidas, que não especificou, serão tomadas em “conformidade com o artigo 51.º da Carta das Nações Unidas”, que estabelece o direito à legítima defesa dos Estados em caso de ataque.

O porta-voz denunciou igualmente a “retórica ameaçadora dos responsáveis norte-americanos contra o Irão e vários países da região”, na sequência de declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre Omã.

Os Estados Unidos atacaram nas últimas horas o que descreveram como instalações militares no sul do Irão, na zona costeira de Bandar Abbas.

Foram abatidos quatro drones de ataque que foram lançados contra navios norte-americanos em “legítima defesa”, de acordo com meios de comunicação iranianos.

Washington terá realizado os ataques por se tratar de uma ameaça contra o tráfego comercial no estreito de Ormuz e contra os navios da marinha norte-americana, segundo militares citados por meios de comunicação dos Estados Unidos.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou hoje que respondeu aos ataques com o bombardeamento de uma base dos Estados Unidos na região, embora não tenha especificado a localização.

O Kuwait anunciou pouco depois que tinha intercetado mísseis e drones lançados sobre o país.

“Esta resposta é um aviso sério para que o inimigo saiba que a agressão não ficará impune e que, a repetir-se, a nossa resposta será ainda mais contundente”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irão num comunicado.

Os ataques recíprocos ocorrem no dia em que o Irão e os Estados Unidos cumprem três meses de guerra, com negociações em curso para pôr fim ao conflito e reabrir Ormuz, uma via fundamental para o comércio energético mundial.

Trump ameaçou na quarta-feira “terminar o trabalho” se Teerão não aceitar um compromisso, e ameaçou também Omã, aliado dos Estados Unidos e um dos mediadores no conflito.

As declarações de Trump surgiram após a televisão estatal iraniana ter divulgado um projeto de acordo em discussão, que sugeria que o Irão manteria o controlo do estreito de Ormuz, em cooperação com Omã.

“Estas são águas internacionais. Nós vamos vigiar, mas ninguém vai controlar”, declarou Trump, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“Omã comportar-se-á como os outros ou então teremos de os pulverizar. Eles sabem disso”, advertiu.

O porta-voz da diplomacia iraniana condenou estas afirmações, afirmando que as ameaças contra Omã constituem “um sinal preocupante da normalização da anarquia e da intimidação nas relações internacionais”.

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