Acervo interactivo militar presta tributo aos soldados das batalhas de Angola
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O Presidente da República e Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA), João Lourenço, inaugurou quinta-feira, em Luanda, uma sala de exposição multimédia sobre a cronologia dos principais combates, batalhas e operações militares de 1975 a 2002, denominada “Caminhos de Fogo, Horizontes de Paz”, no interior do Museu Nacional de História Militar.
Acompanhado da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, e de membros do Executivo, o Chefe de Estado angolano, após descerrar a placa que simboliza a infra-estrutura, tomou contacto com o acervo museológico interactivo militar e contemplou as várias imagens que retratam, cronologicamente, os principais acontecimentos antecedentes à proclamação da Independência de Angola.
“Um tributo à memória e à coragem, dedicado aos que viveram as batalhas de Angola entre os anos de 1975 e 2002, a todos os soldados, civis e aos que tombaram sem nome”, lê-se entre alguns dos retratos que surgem nos gigantescos quadros interactivos da exposição multimédia.
Coube ao general Francisco Furtado, ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, descrever para o Chefe de Estado e a todos os presentes a história de cada um dos momentos registados em fotografia das várias batalhas e operações militares destacadas na exposição.
Na condição de interveniente directo de uma das operações militares que marcaram a Batalha do Cuito Cuanavale, o general Francisco Furtado não escapou à referência às imagens dos momentos de condução do plano operacional e decisão da “Operação Zebra” das ex-FAPLA, que, 21 meses depois do fim da histórica batalha, resultou na retomada da sede do município de Mavinga, ex-província do Cuando Cubango.
A exposição multimédia é um recurso aos meios tecnológicos de última geração, sons, luzes e efeitos visuais, que ajudam a recriar o ambiente das operações militares, os planos de guerra e o contexto do tempo retratado. Cada detalhe das imagens apresentadas foi pensado para proporcionar aos visitantes uma experiência sensorial e emocional, onde a História de Angola se manifesta de forma viva, despertando conhecimento, orgulho e esperança nas gerações presentes e futuras.
História do conturbado período político
Para o general Francisco Furtado, a concessão do acervo histórico militar consiste numa reflexão profunda sobre como contar à actual e às gerações vindouras a história do conturbado período político da era da guerra fria e do ambiente vivido na época.
“As mudanças resultaram nas conquistas políticas e militares alcançadas por Angola, apoiada por uma investigação rigorosa diversificada da qual resultou a selecção dos temas centrais, o tom narrativo e a estrutura que deram forma à exposição, garantindo a autenticidade e a coerência do conteúdo exposto”, disse o ministro de Estado, ao proferir um discurso no acto.
Entre 1975 e 2002, referiu Pereira Furtado, Angola viveu um dos mais longos e complexos períodos de conflitos armados do continente africano. Em face disso, acentuou, a exposição retrata as principais operações militares registadas no país, desde as guerras de agressão civil angolana, desde os primórdios, com os confrontos de Luanda, antes da proclamação da Independência, até à conquista final da paz, em 4 de Abril de 2002.
Mais do que preservar a memória histórica das batalhas que marcaram o país, desde 1975 a 2002, o ministro de Estado esclareceu que a exposição visa, também, promover a reflexão crítica sobre os impactos sociais, políticos e humanos dos conflitos armados, valorizar os testemunhos das vítimas e combatentes que viveram esse período.
Extravio de registos dos conflitos
O processo de concessão da exposição multimédia militar, explicou o general de exército, registou alguns percalços que motivaram a produção a partir do zero, em razão da ausência de registos de cartas, mapas e outras fontes que se extraviaram depois dos conflitos armados.
Para colmatar o imbróglio, disse o ministro de Estado, a estratégia foi ouvir centenas de protagonistas dos diferentes cenários militares ocorridos em Angola durante mais de 27 anos, para que, inicialmente, a partir dos depoimentos e entrevistas, se pudesse reconstituir os diferentes mapas de acções, tácticas e cenários.
“Com base neste alicerce, o processo de pesquisa e apresentação dos resultados investigativos permitiu a concepção de uma exposição moderna e envolvente, que alia conteúdos históricos de grande relevância”, referiu.
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